Leitura

16 de Março de 2010

O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos.

A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida.

Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos.

A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria.

Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso.Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado.

 O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida das mesas das secretarias para as mesas dos cafés.

A ruína económica cresce, cresce, cresce… O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo ”

IMPORTANTE

Retirei este texto do livro ” Uma campanha alegre ” de Eça de Queiroz. Este texto foi publicado em Junho de 1871 ( há quase 140 anos !!!)

O retrato da sociedade portuguesa feita nestas linhas, alterou-se nos últimos 140 anos ?

Se Eça de Queiroz fosse vivo, agora, creio que voltaria a escrever o mesmo texto, se tivesse que caracterizar a sociedade portuguesa.

Infelizmente,continuo a pensar que Portugal ,desde 1820, deixou de ter um projecto nacional estratégico consequente, que mobilizasse os portugueses para construir uma Nação mais justa, mais solidária e menos desigual.

Eça de Queiroz sempre foi muito caústico com o Poder instituido. Vejamos uma citação sobre este assunto.

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