Última aula

11 de Março de 2010

O filósofo e ensaista José Gil proferiu perante centenas de ouvintes e convidados, ontem, no auditório da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa , a sua última aula .

Ele que foi considerado pelo ” Le Nouvel Observateur ” como um dos 25 maiores pensadores do Mundo, tem escrito sobre os constrangimentos de Portugal e sobre a mentalidade dos portugueses.

Entrevistado, na véspera, pela TSF sobre o futuro do nosso País, disse que estava pessimista sobre o nosso próximo futuro.

De entre as causas que apontou para esta situação, salientou as seguintes :

- temos um sistema de justiça lento e caro

- o nosso sistema de ensino é ineficiente

- as campanhas eleitorais são feitas apenas de promessas

Não posso estar mais de acordo com ele.

As leis judiciais, como é reconhecido pelos responsáveis políticos, estão mal feitas e o Código Penal aprovado há menos de 2 anos e entrado, à pressa, em funcionamento, já vai ser alterado.Uma Justiça lenta é uma injustiça, na maior parte dos casos.Há quase 10 anos que decorre um processo no Tribunal de Lisboa, em que sou testemunha. A última audição teve lugar há 2 anos e a sentença ainda não foi proferida.

O ensino nivelou-se por baixo, deixou de ser exigente para que as estatisticas do sucesso escolar se aproximassem das dos nossos parceiros comunitários e os nossos jovens não são preparados para enfrentar os desafios do mundo do trabalho. Os nossos investigadores que produzem ciência são apoiados com bolsas de 750 euros como vi hoje na TV, o que os leva a procurarem outros paises onde as suas capacidades cientificas sejam reconhecidas e devidamente apoiadas. Saem, deste modo, os melhores cérebros que, se fossem apoiados, podiam ajudar as nossas empresas e inovarem e serem mais competitivas.

As campanhas eleitorais, infelizmente, baseiam-se em slogans que, mais tarde, somos forçados a reconhecer, eram apenas e tão só palavras. Ainda nas últimas eleições legislativas (há 6 meses) o cidadão José Sócrates garantiu aos arouquenses, de viva voz e com grande pompa e circunstância, que a nossa ligação ao litoral ia ser uma realidade imediata, por ser um acto da mais elementar justiça. Decorridos 3 meses o cidadão José Sócrates esqueceu-se de dizer isso ao 1º Ministro José Sócrates e os arouquenes, para já, ficaram a chupar no dedo.

Cito algumas passagens de José Gil no seu livro ” Portugal, Hoje – O medo de existir ” , publicado pela “Relógio D´Água “, extraidas das páginas 41 a 44 :

” Portugal conhece uma democracia com um baixo grau de cidadania e liberdade”.

“Estamos longe de expressar, de explorar, e portanto de conhecer e de reivindicar os nossos direitos cívicos e sociais de cidadania, ou seja, a nossa liberdade de opinião, o direito à justiça, as múltiplas liberdades e direitos individuais no campo social “.

“Apesar das liberdades conquistadas, herdamos

antigas inércias – irresponsabilidade. medo que sobrevive sob outras formas, falta de motivação para a acção, resistência ao cumprimento da lei etc”

” Somos um País de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal do ano tal “

Vamos é arrepiar caminho e dar uma vassourada nestes comportamentos, para termos futuro!!!

Durch weiterzüchtung dieser merkmale stellte er Publisher -Webseite schauen fest, dass die anlagen für diese merkmale von generation zu generation konstant weitergegeben werden

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