Todos nós nos habituamos a ver na TV um Senhor muito respeitável de seu nome Alexandre Soares dos Santos – Presidente da Jerónimo Martins( dona do Pingo Doce), com intervenções muito sérias a manifestar preocupações sociais com o andamento negativo da economia portuguesa. Afirmava que todos eramos chamados a dar o melhor de nós mesmos para que o País progredisse e criasse riqueza que pudesse, posteriormente, ser redistribuida. Incluia em muitas das suas intervenções esta pergunta – o que é que todos nós podemos fazer pelo País ?
Falava muitas vezes dos seus netos e queria deixar-lhes um País mais desenvolvido e justo.
Até comovia as pedras da calçada, com tal fervor patriótico !!!!!!!
Ora muito bem, no passado dia 30 de Dezembro de 2011 (último dia útil do ano), o respeitabilissimo Senhor, sócio maioritário da Sociedade Francisco Manuel dos Santos vendeu à sociedade Francisco Manuel dos Santos, com sede na Holanda, 353.260.814 acções da sociedade que detém 56,13% do Grupo Jerónimo Martins pela módica quantia de 4.600.000.000 de euros ( quase o dobro do valor que os chineses pagaram pela compra de 21% da EDP).
Muito deste valor foi obtido com o resultado de compras que os portugueses fizeram, ao longo de anos, nas centenas de lojas Pingo Doce.
Este anúncio não se destinava , como eu pensava, para os clientes, mas sim para a empresa que, agora, com a deslocalização fiscal vai pagar tão pouco. O capitalismo desregulado no seu melhor.
A operação financeira é legal, em face da liberdade de circulação de capitais, mas ela é imoral por duas razões:
1 – o Senhor Alexandre Soares dos Santos apelava nas suas intervenções públicas ao patriotismo e à defesa da cidadania, mas num momento de grave crise, como a que atravessamos, não teve relutância em rasgar esses princípios.
2 – Enquanto a União Europeia permitir que os Paises mais ricos tenham politicas de desvalorização fiscal, a Europa não terá futuro e tenderá a afundar-se. O sonho de construirmos um espaço de liberdade e de bem estar, será uma miragem.
NOTA FINAL
A UE tem necessidade de regular a deslocalização fiscal de modo a que seja criada uma harmonização fiscal, que impeça situações como esta.
Convém referir que 19 das 20 empresas que fazem parte do PSI 20 como (PT, EDP, Sonae, Galp, Mota/Engil, BCP, Cimpor, Brisa, Zon, Semapa) têm 74 sociedades com sedes em paises que oferecem vantagens fiscais relativamente a Portugal.

